|
A privação digital
pode ser considerada uma das formas mais perversas de exclusão
social contemporânea. Nesta Era da Informação e do Conhecimento,
aqueles que não tiverem acesso e habilidade com os meios eletrônicos
e digitais, que vão do trabalho ao lazer, estarão, mais e mais,
alijados do exercício pleno da cidadania. |
DESAFIOS PARA ONTEM
Horácio Lafer Piva*
Durante algum tempo, teimosamente, mantive
a curiosidade de acompanhar a evolução da Internet. Trezentos milhões
de endereços de e-mails em 1998, 570 milhões no ano seguinte, mais de
um bilhão em 2000...
Concluindo ser inútil, seja pela velocidade estonteante, seja pela
impressão de que temos de nos livrar do vício da forma, já que o que
importa é o atributo do conteúdo, mudei o foco para a questão da
exclusão, procurando entender a dificuldade em toda a sua extensão.
Temos pela frente desafios para os quais somos chamados a encontrar
respostas rápidas e pertinentes à realidade virtual. A universalização
das tecnologias de informação e comunicação é, sem dúvida, uma questão
estratégica tanto para o desenvolvimento econômico do país quanto para
o desenvolvimento humano da população. A telemática, otimizando o uso
do tempo e acelerando os ciclos de transmissão e intercâmbio de
sinais, informações e conhecimento até o limite da instantaneidade,
além de representar uma verdadeira e inexorável revolução de costumes
e culturas, significa, para a nação, o ganho de produtividade e
competitividade decisivas para seu progresso e inserção do país no
impiedoso processo de globalização.
Eis porquê me parece que a privação digital pode ser considerada uma
das formas mais perversas de exclusão social contemporânea. Nesta Era
da Informação e do Conhecimento, aqueles que não tiverem acesso e
habilidade com os meios eletrônicos e digitais, que vão do trabalho ao
lazer, estarão, mais e mais, alijados do exercício pleno da cidadania.
E se isto vale para a questão social e entre países, vale igualmente
para a realidade
empresarial, ainda em busca de uma
definitiva inserção na WEB. A exclusão empresarial existe, e é
problemática enquanto assimétrica em relação aos nossos clientes,
parceiros e, principalmente, concorrentes.
Sempre penso que estes milhares de mundos à distância de meu "enter",
devem, na verdade, preocupar-se apenas com a conveniência, ou seja,
tentativamente "one stop" para todos os serviços que oferecem, a
informação, aquela que o usuário quer, que agrega valor através da
compreensão, a personalização, através do acesso a elementos-chave
inerentes a cada tema, e a interatividade, com a equipe do site ou
grupos de pessoas.
A boa receita incluí acesso a equipamento, rede de transmissão de
dados de geração recente e consciência de sua utilidade. Isto
pressupõe igualmente que os profissionais que constroem os sites tem
de ter cada vez mais ciência do que desejam os milhares de clientes
que navegarão em seu endereço e ajustar sua técnica ao desejo.
Temos pela frente uma explosão de tecnologia, oportunidades e
desafios. Seria uma bobagem desperdiçar este potencial. Saibamos,
pois, o que oferecer e o que demandar. Estejamos já, com a velocidade
e transparência da Internet, preparados.
*Horácio Lafer Piva é
presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) |